A Maçã Diária

O boom da Realidade Aumentada

Publicado por: Maçã Diária em: dezembro 16, 2009

Já tem um tempinho que esse papo de realidade aumentada vem causando furor de 10 entre 10 aficcionados por tecnologia, gadgets, parafernálias e recursos digitais e outros afins tecnológicos que fazem com que tenhamos um sentimento coletivo de passo a mais na evolução. Também já tem um tempinho que ela vem sendo utilizado para tudo: desde vender figurinha até usado para provar roupas (um dos recursos mais bacanas que vi até agora), e me pergunto: já tá bom ou vocês querem mais?

O problema desses recursos, do auto da minha opinião de profissional não-formada e usuária compulsiva, é o exagero. OK, até admito que deve ser bacaninha ver a Enterprise na sua tela, diversão é necessária e tudo o mais, mas… deve perder a graça depois de um tempo, né? Até porque esses recursos de última geração costumam se transformar em traquitana do vovô em três anos.

Há nessa ferramenta um potencial único, que permite agregar valor, gerar experiência e, de quebra, dar umas risadinhas. Quer dizer, deve ter algo de divertido ficar em trajes íntimos na frente de uma câmera para experimentar uma peça de roupa via loja virtual:

Já dizia a sabedoria popular que o exagero leva ao desinteresse, que leva ao abandono de um bom recurso ainda em fase embrionária, que leva ao lado negro da força. As pessoas se cansam do mesmo (basta ver essa idéia fixa sobre inovar), principalmente se for mal utilizado.

Tudo bem, eu sei que muita gente ainda não viu, não sabe do que se trata e que ainda há um mercado aí que vai babar na novidade – mas por quanto tempo? É bacana e tudo mais, mas será que rola um “mídia do futuro award”? Ao meu ver, me poupem de ter que ficar segurando qualquer coisa por mais de dois minutos na frente de uma câmera… e quem sabe? Vai ver ainda vão apontar esse post como fail reacionário do século.

It happens.

Esse post foi inspirado pela matéria da Advertising Age, que trás dicas e comentários legais sobre o recurso. Vai lá e conclua por você mesmo.

No excelente Adivertido, você encontra uma boa idéia – mas precisava mesmo mensagem de Natal em 3D com RA?

Momento “Como assim?!” do dia.

Publicado por: Maçã Diária em: dezembro 14, 2009

Existem coisas que dão aquela familiar deprê do meio da tarde. Pior do que crítica do chefe ou não conseguir achar o save daquele jogo que você curtiu horrores (AAARRRGGHHH — momento catarse, já passou), ela te faz refletir sobre alguma coisa. No meu caso, foi a notícia de que Stanley Jordan tocou para 17 pessoas, num micro-evento que deveria reunir muito, muito mais gente. Tudo isso em plena Era Twitter vamos-revolucionar-a-comunicação – COMASSIM minha gente? E aquele papo de colaboração?

Fica a dúvida se a transmissão informal de conteúdo e informação tem mesmo todo esse poder – ou será que acabamos de perceber o limite?

A matéria é do IG Música para quem quiser ler na íntegra.

Obs.: Quais as chances de ser um primeiro de abril atrasado?

5 séries que você já deveria ter visto.

Publicado por: Maçã Diária em: dezembro 4, 2009

Enquanto Stargate lança seu terceiro spin-off e o pessoal faz estardalhaço em torno do lançamento de Glee, boas séries vão perdendo espaço para os últimos lançamento. Mal aproveitadas, perdidas nas prateleiras do tempo ou nos piores horários da história, aí estão 5 séries que você já deveria ter visto. Play nelas!

5. Enterprise (2001-2005)

Baseado na série original, Enterprise foi o sexto spin-off da franquia Star Trek, criada por Gene Roddenbery. Levou muitas torcidas de nariz de fãs xiitas da série e durou exatas 4 temporadas. A série gira em torno dos primeiros passos da humanidade em direção à fronteira final, e se passa cerca de 100 anos antes das viagens do Capitão Kirk e patotinha.

Tem tudo para agradar os fãs das série e, principalmente, aqueles que nunca tiveram contato com ela.



4. Eureka(2006 –)

Tudo bem, seria impossível você já ter assistido a série completa: Eureka ainda está no ar, e se você tem Sci-fi Channel, pode ligar sua TV nas Quartas-feiras às 23h. Ainda assim, não tem desculpa para não ter alugado/baixado/emprestado/youtbezado as duas primeiras temporadas. Eureka se passa numa cidade homônima que abriga os maiores gênios que um governo pode reunir. 100% baseado em teorias científicas, a série vai com certeza atiçar sua curiosidade nerd. Ou pelo menos te entreter com o simpático xerife Carter, provavelmente o único indivíduo com um Q.I. menor que 150 no lugar.

3. M*A*S*H (1972- 77)

Enquanto House ainda dava seus primeiros passos, Trapper e Hawkeye já ocupavam o posto de médicos-canastrões-porém-extremamente-talentosos da TV. Baseado no filme de mesmo nome que, por sua vez, foi baseado na obra literária de Richard Hooker, MASH se passa na estação médica 4077, instalada na Coréia. Sim, se passa durante a Guerra da Coréia, mas não espero ter que explicar muito mais que isso. Entre um tipo estranho e outro, a história se desenvolve com um humor simplista que valeu cada minuto de suas cinco temporadas


2. Hitchcock Presents (1962-65)

Hitchcock ganhou o titulo de mestre do terror/mistério por um motivo. E se você assistiu qualquer um dos filmes e curtiu (existem quem não curta?), então já demorou demais para ir atrás desses episódios. Infelizmente, nenhum DVD por aqui, e vai ter que rolar uma importação. Facada? Óbvio, mas pra mim valeu. Apresentado pelo mestre gordinho em presença e jeitão estranho, foram três temporadas de episódios independentes, cheios de mistério e viradas inesperadas típicas do diretor.

1. Twin Peaks (1990-91)

A número um da minha lista não estaria aqui sem minha irmã. Ela insistiu, disse que eu ia e gostar e CATAPIMBA eu gostei. Não só gostei, como acho que duas vezes não foi o suficiente para chegar a todas as conclusões possíveis. Concebido por ninguém menos que David Lynch, foi exibido aqui pelo SBT fora de ordem e faltando pedaços. Obviamente não vingou. A história da estranha morte da jovem Laura Palmer vai te deixar arrepiado conforme a narrativa se desenrola, sendo complementada por um livro (O Diário de Laura Palmer) um filme(Fire Walk With Me). Recomendo que os procure apenas depois de assistir o último episódio da série. Foram apenas duas temporadas, valem a pena. Vai assistir? Opte pela versão original do episódio piloto ou pela internacional e prepare-se para virar algumas noites.

AC/DC em Sampa: para matar a próxima geração de inveja, parte I

Publicado por: Maçã Diária em: novembro 30, 2009

Iniciando tardiamente a série Coisas-que-vão-matar-meus-filhos-de-inveja, temos a resenha do show da última sexta-feira (27/11) em São Paulo. Performáticos, históricos e com mais fôlego do que e você juntos, a banda australiana AC/DC esteve no Brasil para promover o seu álbum mais recente, Black Ice e levar fãs ao delírio. Bem, eu delirei.

Como todo grande show, a saga sempre começa com a venda dos ingressos que, neste caso, bateu a impressionante marca de esgotar em menos de 48 horas. O segundo lote foi ainda mais ligeiro, o que deixou muita gente de fora. Nessas horas me lembro de pessoas que, com ingressos em punho, ponderavam em eterna indecisão se estavam ou não dispostas a “gastar uma noite de sexta”, ao mesmo tempo em que pensava em amigos que queriam mesmo estar lá. Para futura referência: não segurem ingressos de shows aos quais você não vai. É no mínimo falta de respeito com outras pessoas e acredite, alguém vaio querer comprá-los de você (adiantado cara, não vai ficar parecendo um cambista na porta).

Peguei um lugar na arquibancada, tomo meu lugar já quando já escurecia. Aprendi há algum tempo que banda nenhuma vale 12 horas dormindo na rua. Meu lado mucho crazy geralmente clama por um espacinho no empurra-empurra da pista, mas nesse dia confesso que agradeci a escolha (meio forçada) de permanecer lá, com uma vista quase perfeita do palco. Os telões ajudaram pacas, nunca vi câmeras tão sincronizadas, imagens tão empolgantes.

Depois de uma abertura bacaninha do Nasi, com direito a Andreas Kisser e músicas do Raul Seixas (o que nos poupou do eterno e infame “toca Raul” de sempre), as luzes se apagam o estádio brilha, bonito, com toda aquela multidão portando chifrinhos luminosos na cabeça. Eu, particularmente, não consigo pensar em show mais apropriado para tal adereço.

Soa o apito de trem, uma locomotiva imensa decora o palco e todos vamos à loucura. Era a hora, finalmente, e lá estavam eles. Não posso deixar de me lembrar do meu pai, que sabe-se lá por quê não foi. Brian Johnson e Angus Young, como sempre, causam o maior impacto. Boina e uniforme, respectivamente, estavam lá. O carisma então, nem vou comentar. Acho que todos podemos entender então os gritos irreprimíveis, o delírio da multidão diante daqueles arautos do bom rock. Chiliques de lado, o show começa com Rock N’ Roll Train. Nenhuma música deixava de arrancar gritos e respostas empolgadas do público. Sem decepcionar em momento ou campo algum, tocaram clássicos como T.N.T e The Jack.

Vale ressaltar o enorme sino que descia enquanto Brian tomava impulso pelo palco. Todos sabíamos o que estava por vir e Hell’s Bell começa com verdadeiras badaladas.

Com direito a brincadeiras, delírios, rodas abrindo na pista, e Angus causando surtos na platéia com um solo memorável, eu jamais me perdoaria caso perdesse o que pode ser a última passagem d’Os Caras por terras brasileiras – rola aqueles papos de aposentadoria e tudo mais, enquanto ficamos na torcida para que seja algo no melhor estilo Romário.

Foram duas horas inesquecíveis, encerradas com a mais que indispensável Highway to Hell e For Those About to Rock (We Salute You). E nem vou comentar os fogos que pipocaram sobre a cabeça dos presentes que, estarrecidos como eu, se perguntavam se eles parariam de surpreender.

Confiram o repertório do show:

Rock N’ Roll Train
Hell Ain’t a Bad Place to Be
Back in Black
Big Jack
Dirty Deeds Done Dirt Cheap
Shot Down in Flames
Thunderstruck
Black Ice
The Jack
Hells Bells
Shoot to Thrill
War Machine
Dog Eat Dog
You Shook Me All Night Long
T.N.T.
Whole Lotta Rosie
Let There Be Rock

Bis
Highway to Hell
For Those About to Rock (We Salute You)

As fotos deste post são do canal R7, veja aqui. Eu tive a infelicidade de não levar câmera alguma.

P.S.: Dedicado ao meu amigo Marcello, cujo “valeu, Mari” por eu ter ligado para ele ouvir The Jack ainda não foi classificado como legítimo ou tomado de profundo sarcasmo. Beijosmeliga.

Sociedade caricata

Publicado por: Maçã Diária em: novembro 23, 2009

Quando alguém se aventura pelo mundo da fotografia, geralmente leva algum tempo para se encontrar absolutamente estarrecido diante de uma imagem pela primeira vez.

São aquelas que te levam para uma reflexão muito além do quão bonita, ou chocante, ou estranha ou [qualquer outro adjetivo simplista aqui]. E foi assim que, entre Adams e Penns, eu encontrei Diane Arbus.

Americana, saiu de coadjuvante das fotografias do marido para lançar sozinha um dos olhares mais refinados sobre a sociedade. Em nada sua história se parece com a estranha ficção estrelada por Nicole Kidman em A Pele (o motivo de terem escolhido justamente Diane para o papel da narrativa permanece um semi-mistério para mim). Seus objetos de afeto estético são aqueles que representam com hesitante ironia os mais diversos patamares sociais americanos de sua época.

O flash, muitas vezes estourado, se mostra sem pudor, integrando a harmonia dessa sinfonia do exótico, iniciada nos próprios fotografados. É um jogo de exibicionistas, uma valsa de voyeurs – seus olhos denunciam a câmera, que lhes sorri de volta. Ela está ali, ali! – lançando inevitáveis questões sobre os sempre conflitantes conceitos de individualidade e pertencimento social.

Diane Arbus, buscava os exageros, os artistas de circo, o nacionalismo exacerbado (que retrata em óbvio tom zombeteiro), as prostitutas e os mutilados. Não por acaso ficou conhecida como a fotógrafa dos freaks, dos “monstros”, das atrações circenses de sua década. E é a eles que suas lentes conferem uma solenidade ímpar por serem, em suas próprias palavras, aristocratas.

Haviam eles passado no teste da vida, sobrevivendo do trauma enquanto a maior parte de nós vive para evitá-lo – diante deles, ela sentia fascínio e vergonha, numa abordagem que leva aos últimos recursos a temática iniciada pelo filme de terror cult Monstros de 1932.

As linhas não se apagam e o fascínio que suas cópias são capaz de imprimir em um observador cuidadoso são a prova última de que Diane está inegavelmente entre aqueles que, dotados de um olhar único, tornam-se marco imagético e, por que não?, conceitual.

Já fez sozinho hoje?

Publicado por: Maçã Diária em: novembro 12, 2009

Se você é um perfeccionista com leves indícios de uma possível psicopatia crônica também deve achar que legal mesmo é conseguir chegar lá por mérito próprio. Sinta-se à volonté para considerar “lá” aquilo que bem lhe convir.

Mas aqui me me refiro a tudo aquilo que você sempre achou que conseguiria fazer sozinho, mas nunca soube bem por onde começar. Com uma penca de videos no estilo “how to” você não deve ter tido muita dificuldade em solucionar essa sua dúvida mortal ou satisfazer a sua incontrolável sede por criar algo significativo.

Mas se nada disso foi suficiente, fica aí dica da semana – clique na imagem e seja feliz.

Amor na primeira mordida

Publicado por: Maçã Diária em: novembro 5, 2009

Parece que o vírus já está mesmo entre nós. Veio meio capengando, meio morto mesmo, nos dividindo entre aqueles que foram completamente contaminados e aqueles que resistem à mordida.

Essa semana tivemos em São Paulo a (podia ser mais) popular Zombie Walk, movimento internacional em que uma multidão morta-viva caminha por uma rota combinada em suas respectivas cidades. Isso nos desperta para perceber o fenômeno que os zumbis estão se tornando, crescendo além do trash, ganhando status de cultura pop, com todos seus pontos altos e baixos.

É só olhar em volta – o filme Zombieland, ainda sem estréia no Brasil, é fenômeno nos cinemas internacionais. O quadrinho Walking Dead (publicado pela editora HQM sob o título de Os Mortos Vivos por aqui) é um dos melhores lançados nos últimos tempos, ao mesmo tempo em que o jogo Left4Dead conquistava a primeira posição do ano. E isso é só o começo.

Como toda boa personificação do terror, os zumbis têm origem no folclore. Haitiano, nesse caso. Se trataria de um fenômeno menor, em que há a crença de que o corpo de um falecido poderia ser reanimado por um feiticeiro e, uma vez colocado nesse estado catatônico, serviria como servo para… bem, para tudo aquilo que pode ser mais conveniente se confiado a um suposto morto-vivo. Não precisa nem dizer que daí para que alguém as colocasse numa narrativa foi um pulo. O próprio H.P. Lovecraft já escreveu contos que tratavam de cadáveres reanimados, influenciando uma série de outros escritos; ainda assim só na década de 30 seria reconhecida a primeira história em que os zumbis são amplamente definidos.

Em 1968 o diretor George Romero faria fama com Night of the Living Deade mudaria a forma de se construir essa linha de terror, adicionando propostas moderninhas, razões científicas para a infecção que assolaria a humanidade e mensagens claras e diretas. Sim, diretas. Porque não, não há nenhum mistério criptografado que só as mentes mais elevadas conseguem ver. Um filme de zumbi é só um filme de zumbi e ninguém vai me convencer de que eles trazem a resposta para todos os males psicossomáticos da humanidade. Exatamente por isso chegamos no que eu particularmente considero o ponto alto disso tudo e especialmente atraente.

Vimos Frankenstein virar personagem de comédia pastelão, vampiros e lobisomens transformados e protagonistas de duvidosos triângulos amorosos. Enquanto todas essas fantasias cairam por terra como a mocinha do filme que sempre tropeça na hora errada, os zumbis atravessaram os anos com seus passos trôpegos, conquistando uma multidão de fãs. Arrepiam menos pela sujeira que fazem do que pela concepção de que eles são, de fato, a versão animada daquilo que o ser humano mais teme: a morte. Do outro lado, os sobreviventes capazes de fazer qualquer coisa para não se tornarem mais uma entidade desprovida de pensamento, impulsionada pela multidão a satisfazer os desejos mais básicos e animais de nossa existência.

A fascinação dessas histórias pós-apocalípticas teriam origem na capacidade de transferir o espectador para a situação, causando a ansiedade que os leva a refletir, mesmo que por um breve instante de fantasia, que atitudes tomariam frente a essa situação em que as concepções de moral, valor e liberdade são deslocadas de seu curso. Se enxergar por um instante por detrás da maquiagem e do roteiro simples, alguém será capaz de chegar à questão mais recorrente e, como não?, banal de nossa vida:

Are we worth saving? You tell me.

(fechamento de Diário dos Mortos, de George Romero)

Calvin, Baudelaire e meu avô.

Publicado por: Maçã Diária em: outubro 29, 2009

Imagine só: lá está você, no meio de uma discussão acalorada sobre com seus amigos. Mas daquelas bacanas mesmo, em que você descobre pontos de vista que nunca imaginou que existissem, pensa em mil rebimbocas para outras mil parafusetas diferentes. E enquanto você está no ápice do seu trabalho mental, um dos seus amigos(?) abre a boca e solta uma piadinha qualquer, daquelas que até poderiam te arrancar uma risadinha sua não fosse o momento inacreditavelmente inoportuno. Como seu cérebro é incapaz de reconhecer tal violência de pronto e encerrar subitamente o processo, você deve ter sido capaz de elaborar 12 maneiras de ofendê-lo. Em três idiomas ou mais. No final, temos algumas risadinhas aqui, outras ali e um ou dois elementos do grupo com o maior sorriso amarelo do universo, com a mente recheada de conceitos e se perguntando se vale a pena viver a vida resolvendo todas as suas questões com um me-pergunto-onde-está-o-engraçado-nisso “Ronaldo!”

Claro que ninguém está disposto a discutir as implicações éticas do uso de células troncos num futuro planeta caótico todo dia, mas quando um bom assunto surge, vale a pena pensar duas vezes antes de colocar seu cérebro em stand-by. Uma explicação possível para a Síndrome do Coringa é que a falta de argumentos leva o indivíduo a utilizar esse recurso para chamar a atenção, o que nos leva a pensar o motivo pelo qual ninguém então considerou a possibilidade de atear fogo no próprio dedão – bombaria no Youtube.

Eu, particularmente, tenho uma doença chamada otimismo e me recuso a acreditar que qualquer pessoa que nasça dotada de cérebro não o utilize por livre e espontânea vontade. E é aí que os avós entram na história, com o já famoso porém amado “na minha época não era assim”, podendo ou não vir acompanhado do “elas tinham valores” ou algo que o valha. Se bem que, com o potencial de transformação dos processos de comunicação, meus primos já estão falando o mesmo e mal chegamos a dez anos de diferença.

Uma breve série de considerações me faz pensar que talvez, apenas talvez, grande parte das pessoas lá fora tenham aprendido a processar informações de maneira bastante utilitarista – a informação serve para algo? Beleza, manda bala. Qualquer outra coisa começa a ocupar espaço interno demais e é repudiado como vírus. Aí tem uma série de culpados, sobre os quais você pode jogar a responsabilidade: a mídia, a velocidade de informação, a tecnologia ou abduções alienígenas ocultadas pelo governo. No final das contas, não faz mesmo muita diferença já que no final a responsabilidade é mesmo sua. E é aqui que entra Baudelaire.

Em poucas linhas, Baudelaire escreveu que o verdadeiro artista é aquele capaz de extrair a eternidade do efêmero. Em essência, não é muito diferente aqui. A velocidade e os avanços tecnológicos apresentam uma quantidade vertiginosa de informação e possibilidades de expressão. Os receptores ganham voz e transformam as mesmas mídias que vinham apenas informar. Diante disso, obviamente temos que selecionar aquilo que cabe dentro do nosso mundo pessoal, aquilo que pode nos ajudar a construir perspectivas de mundo… enfim, nos educar. Ao contrário do que se pensa, existe um pouco de filosofia em tudo, basta estar disposto a encontrar. Bem ou mal há, na maior parte das vezes, uma pessoa de carne e osso, com crenças e pensamentos produzindo aquele conteúdo, seja profundo ou raso. Cabe a cada um de nós encontrar a pequena parte passível de eternidade dentro desse fluxo incessante, nem que seja para ocupar os vinte minutos de almoço com algo mais do que o mais do mesmo. Deixando o utilitarismo imediato e prático de todo dia, todo fragmento de informação pode ser um ganho – o “para quê” pode ficar para depois de vez em quando.

Todo mundo adora uma piada. Eu, certamente, não consigo imaginar a minha vida sem o monte de associações e trocadilhos infames que a minha cabeça produz sem controle. Mas fazer rir sempre dependeu da capacidade de encontrar o momento apropriado para isso. Taí a maior prova de que tem gente disposta a perder o amigo para não perder a *caham* piada.

E a tirinha do Calvin é para auto-entrenimento.

Mais espaço do que você imagina

Publicado por: Maçã Diária em: outubro 19, 2009

E não falo da casa da sua avó ou do carro velho do seu amigo que, apesar de parecer pequenos por fora e grandes por dentro, infelizmente estão inevitavelmente restritos pelas boas e velhas leis da física. Diferente da rede, claro. Provavelmente por tratar-se de algo intangível – ainda teremos que comprovar. Afinal, não comprovou, não vale.

Significa dizer, portanto, que temos mais um blog nessa enorme massa aforme de informação. Aplausos, por favor. Dizer que aqui se trata “de tudo”, é chover no molhado. Por mais específico que um blog seja, sempre se trata “de tudo” – ou alguém aí é programado para só falar de um único assunto? Foco, claro! Marasmo, jamais!

Como estudante de publicidade e ovo que ainda está por chocar no ninho, percebo a enorme diferença que faz um pouco de conhecimento a mais. A cultura – pop, não-pop, subcultura, policultura ou o que mais couber aqui – é não apenas objeto de trabalho e ferramenta diferenciada para realizá-lo, mas aqui é tratado também como hobbie. Sinceramente, nunca conheci ninguém que não se interessasse nem um pouquinho por uma novidade. E novidade, como já foi amplamente discutido mundo afora, é produzir uma nova visão sobre um tema. Um review, um rascunho, uma nova maneira de utilizar o forno antigo da sua mãe – não vale tudo, mas quase isso.

Como apreciadora e entusiasta dos aspectos mais simples e divertidos da cultura – o bom e velho entretenimento – descobri que não há nada mais especial nessa realidade do que, de fato, criar experiência. Bem-vindo para nós.

P.S.: Favor ignorar temporariamente o layout wordpressiano. É uma breve questão econômica que pretendo resolver em algo próximo ao breve.

Desde que a rede se tornou fonte visceral de informação, ou você está dentro, ou se contenta em ler apenas. E com minha mãe já dizia: eu sempre falei demais.

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